



http://www.sensedu.com/menu.html
Até +
O papel celofane já teve sua época de glória, muito conhecido do público em geral como papel para embrulhar presentes ou artigos culinários. Agora, pesquisadores norte-americanos e coreanos, trabalhando conjuntamente, descobriram que o quase esquecido celofane é um material inteligente, com aplicações de última geração.
Micro-aviões que batem as asasMicrorobôs, sensores biodegradáveis e micro-aviões de papel capazes de voar "batendo as asas" - estas são as aplicações do celofane, destacadas pelos pesquisadores em um artigo publicado no jornal Macromolecules.
Que a celulose tem um efeito piezoelétrico - ela se curva ligeiramente sob a ação de um campo elétrico - isso já é sabido há muito tempo. Mas, ao contrário dos cristais piezoelétricos, que "dão um tranco", o efeito sutil notado na celulose até hoje não havia atraído muito a atenção dos cientistas.
Papel inteligenteAgora a equipe liderada pelo professor Jaehwan Kim fez um experimento que lançou o celofane definitivamente na área dos materiais inteligentes; e com aplicações práticas muito promissoras.
Em sua experiência, eles construíram dois eletrodos, um de cada lado da borda de uma folha de celofane, na forma de duas finíssimas e estreitas camadas de ouro. Aplicando uma corrente nesses dois eletrodos, eles descobriram que o papel celofane se curva em direção ao pólo positivo.
Borboleta artificialPara construir um avião, basta alternar rapidamente a voltagem - aplicando uma corrente alternada, ao invés de uma corrente contínua. Assim, o papel vibra na freqüência da corrente que o percorre, funcionando como o bater de asas. E está pronto o avião de papel mais "high-tech" do mundo. Ou, talvez, a primeira borboleta artificial já construída.
Seja como for, o aparato voador não precisará ter fios: a celulose é sensível o suficiente para ser sensibilizada por microondas, que podem ser dirigidas por uma antena até o avião-borboleta.
Mas os cientistas destacam que as maiores possibilidades de utilização estão em microescala: microrobôs e MEMS poderão ganhar mobilidade sem a necessidade de complicados motores - que, além do mais, consomem muita energia. Microrobôs "movidos a celofane" poderão ser acionados à distância, recebendo sua energia de uma antena de microondas.
Isso deverá simplificar muito o projeto e permitir a miniaturização desses sistemas microeletromecânicos. Que, além de tecnologicamente avançados, serão também ambientalmente corretos, já que a celulose é biodegradável.
Bibliografia:A nova nanobateria pode ser facilmente confundida com um pedaço de papel preto. E não é só na aparência que ela lembra o papel - ela é construída por métodos de impressão, de forma muito semelhante à utilizada para se imprimir uma carta em uma folha de papel A4.
Baterias finas e flexíveis
Não é só porque os equipamentos eletrônicos estão ficando cada vez menores que há necessidade de baterias finas e flexíveis. Novas aplicações, como equipamentos médicos implantáveis e equipamentos com telas flexíveis, que poderão ser enroladas, estão exigindo uma nova tecnologia de armazenamento de energia que os viabilize.
Foi pensando nisso que os engenheiros do Instituto Politécnico Rensselaer, dos Estados Unidos, desenvolveram a nanobateria de papel. O armazenamento de energia é feito em uma camada de polímero ao qual são incorporados nanotubos de carbono - o material resultante é chamado de nanocompósito. O eletrólito é um líquido iônico, uma espécie de sal que não evapora.
Nanobateria de papel
A semelhança com o papel não é mera coincidência: mais de 90% da nanobateria é composta de celulose. Mesmo assim ela é completamente integrada - não exige componentes externos - e pode ser fabricada por métodos de impressão.
O resultado é uma bateria super-leve, fina como papel e completamente flexível (para conhecer outra bateria com características semelhantes veja Nova bateria é fina como papel e recarrega em 30 segundos). A flexibilidade é um ítem importante porque passa a ser possível colocar a bateria em espaços irregulares, dando liberdade de design aos projetistas e tirando proveito de áreas ociosas no interior dos equipamentos.
Bateria e capacitor
Os nanotubos de carbono são infundidos no papel de forma alinhada. Além de darem a coloração preta à bateria de papel, os nanotubos funcionam como eletrodos e permitem que o nanocompósito conduza eletricidade.
O nanocompósito pode funcionar de duas formas: como uma bateria tradicional, que substitui as atuais baterias de lítio e como um supercapacitor, um dispositivo que acumula energia e a libera de forma quase instantânea. Nos sistemas eletrônicos atuais, baterias e capacitores são componentes separados.
"Nós não estamos juntando peças, este é um dispositivo único, integrado," diz o pesquisador Robert Linhardt. "Os componentes são molecularmente ligados uns aos outros: a impressão de nanotubos de carbono é incorporada no papel, e o eletrólito é embebido no papel. O resultado é um dispositivo que se parece visualmente e pelo tato e pesa exatamente como um papel."
Bibliografia:Tão flexível quanto o papel, tão leve quanto o papel. Mas tão difícil de rasgar quanto uma folha de ferro fundido. Assim é o nanopapel de celulose, criado por uma equipe de pesquisadores do Japão e da Suécia.
Nanopartículas de celulose
Construído de partículas submicroscópicas de celulose, o superpapel poderá ter grande utilidade como elemento estrutural na construção civil. Não existe nenhum material hoje que seja comparável a ele em termos de flexibilidade, leveza e resistência.
O pesquisador Lars A. Berglund, que faz parte da equipe que desenvolveu o nanopapel, afirma que o novo material também poderá entrar como elemento para a fabricação de compósitos para utilização em virtualmente qualquer aplicação.
Compósitos de celulose
Embora os compósitos à base de celulose, que já existem, sejam geralmente muito resistentes à tração, eles não são flexíveis, quebrando-se facilmente quando se tenta dobrá-los.
Para fabricar o nanopapel, os cientistas deixaram a celulose de madeira em solução em um banho químico, cuja composição determina a resistência do nanopapel, que poderá ser ajustada de acordo com a aplicação.
Os testes mostraram que o nanopapel atinge uma resistência à tração de 214 MPa, bem acima dos 130 MPa do ferro fundido. O papel de alta resistência mais forte conhecido até hoje havia atingido 103 MPa.
Bibliografia:O termo papel eletrônico foi cunhado para descrever componentes eletrônicos que se tornaram finos e flexíveis, lembrando as propriedades físicas do papel. Mas agora uma equipe de cientistas da Universidade Nova de Lisboa, em Portugal, inverteu os termos da equação e utilizou papel mesmo para criar transistores eletrônicos totalmente funcionais.
Transístor de papel
Coordenados pelos professores Elvira Fortunato e Rodrigo Martins, os pesquisadores portugueses utilizaram uma folha de papel comum como camada dielétrica para construir um transístor de efeito de campo (FET - Field Effect Transistor).
O transístor com a camada intermediária de papel apresentou desempenho eletrônico comparável ao dos mais modernos transistores de filmes finos (TFT - Thin Film Transistors) que, em vez de papel, utilizam camadas isolantes de vidro ou silício cristalino.
Componentes eletrônicos de biopolímeros
Um transístor de papel não é uma mera curiosidade. Tem havido um interesse crescente entre pesquisadores do mundo todo na utilização de biopolímeros para baratear os custos dos componentes eletrônicos. E, como a celulose é o principal biopolímero encontrado na Terra, nada mais natural do que utilizá-la.
Outros grupos de pesquisadores já haviam relatado o uso de celulose como substrato - uma camada de suporte físico - na construção de componentes eletrônicos. Até agora, porém, ninguém havia conseguido utilizar o papel como "interestrato" - camada intermediário de isolamento - em um transístor.
Na verdade, os cientistas portugueses utilizaram o papel tanto como "interestrato" quanto como substrato, já que eles construíram os transistores dos dois lados da folha de papel. "É um dois em um," simplifica a Dra. Elvira.
Aplicações do transístor de papel
Segundo os pesquisadores, o desempenho eletrônico do transístor de papel supera o desempenho dos TFTs de silício amorfo e é comparável ao dos TFTs de silício cristalino.
A demonstração do funcionamento dos transistores de papel abre grandes perspectivas para o barateamento de aplicações como os próprios papéis eletrônicos - agora sim, feitos de papel mesmo, - além das etiquetas RFID e diversos tipos de bioaplicações, onde o circuito eletrônico poderá ser incorporado a dispositivos biomédicos.
Bibliografia:Com coordenação canadense e contribuição brasileira, uma equipe internacional multidisciplinar está desenvolvendo novas estratégias para o tratamento químico de superfícies metálicas que poderão, no futuro, ter aplicações em implantes médicos e dentários, minimizando a rejeição de próteses metálicas pelo corpo humano.
Superfícies inteligentes
O estudo, publicado na revista Nano Letters, parte das recentes descobertas no campo da nanotecnologia e utiliza a modificação química para produzir metais com superfícies inteligentes, capazes de interagir positivamente com as células e ajudando a controlar a reação biológica.
Coordenada pelo professor Antonio Nanci, da Faculdade de Medicina Odontológica da Universidade de Montreal, a equipe inclui pesquisadores da Universidade McGill, do Instituto Nacional de Pesquisa Científica do Canadá, da empresa Plasmionique e da Universidade de São Paulo (USP).
Tratamento químico de superfícies metálicas
De acordo com um dos autores do artigo, o brasileiro Paulo Tambasco de Oliveira, do Departamento de Morfologia Estomatologia e Fisiologia da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (Forp) da USP, o tratamento químico de superfícies metálicas para utilização em implantes não é uma novidade. Mas ao modificar a topografia dessas superfícies na nanoescala, o grupo tem conseguido ampliar a versatilidade desses processos.
"O estudo apresenta a versatilidade das novas soluções utilizadas para tratamento químico de superfícies metálicas para modificações na nanoescala - a dimensão em que ocorre a sinalização celular - e mostra que as alterações nas células do organismo acontecem tanto na expressão gênica como na expressão de proteínas", disse Tambasco à Agência FAPESP.
O procedimento é capaz de provocar a formação de nanotopografias com poros de dimensões de 20 a 30 nanômetros, que, de acordo com Tambasco, influenciam diversos processos biológicos, favorecendo a interação com o organismo. "Essas superfícies estimulam diretamente as células e por isso são uma potencial alternativa ao uso de moléculas bioativas", disse.
Próteses inteligentes
O aprimoramento dessas estratégias, de acordo com os autores, poderá aumentar significativamente as chances de sucesso de próteses ortopédicas, dentárias e cardiovasculares.
"Uma das principais vantagens é o efeito celular seletivo. No caso de uma prótese vascular, por exemplo, é importante limitar a adesão celular a fim de não prejudicar a circulação sanguínea. No caso de implantes dentários, um dos desafios é impedir a formação de cápsula conjuntiva, o que prejudica sua estabilidade. O desenvolvimento de nanotopografias pode controlar seletivamente o crescimento celular", disse Tambasco.
Os pesquisadores testaram os procedimentos para a modificação da superfície de metais biomédicos como o titânio. O tratamento foi feito com misturas selecionadas de ácidos e oxidantes. A equipe testou os efeitos das superfícies metálicas nanoporosas produzidas quimicamente sobre o crescimento e desenvolvimento de células in vitro.
Aumento do crescimento celular
Foi constatado que, em comparação às superfícies lisas não tratadas, as superfícies produzidas aumentam o crescimento das células ósseas e favorecem o desenvolvimento de células-tronco. A manifestação de genes necessários à adesão e ao crescimento celular também aumentou em contato com as superfícies nanoporosas.
"Justamente por ser uma abordagem inovadora de tratamentos químicos simples, notoriamente eficazes para modificar metais amplamente utilizados para próteses, esse estudo tem potencial para proporcionar o desenvolvimento de materiais inteligentes que sejam aceitos pelo organismo, mas que respondam ativamente ao meio biológico", disse o professor.
O estudo envolveu pesquisadores das áreas de engenharia de materiais, química, física, odontologia e biologia celular e molecular. "A equipe brasileira, concentrada no Laboratório de Cultura de Células da Forp, criado há dez anos pelo professor Adalberto Luiz Rosa, deu contribuição significativa ao estudo canadense", disse.
Bibliografia:Cientistas norte-americanos utilizaram a mesma tecnologia empregada na leitura dos discos rígidos de computador para criar um novo biochip capaz de analisar amostras biológicas com uma precisão inédita.
Biochips são minúsculos laboratórios de análises clínicas do tamanho de um chip de computador, que prometem revolucionar o diagnóstico de doenças, permitindo que os exames laboratoriais sejam feitos em casa ou, no máximo, no próprio consultório médico.
Magnetorresistência gigante
O novo biochip utiliza o efeito da magnetorresistência gigante (GMR - Giant MagnetoResistance), empregado nas cabeças de leitura dos discos rígidos de computadores. Esse fenômeno rendeu o Prêmio Nobel de Física aos seus descobridores no ano passado (veja Tecnologia de discos rígidos dá Prêmio Nobel de Física a fundadores da spintrônica).
Agora uma equipe de quatro universidades norte-americanas utilizou a mesma tecnologia para construir um biochip que consegue detectar aglomerados magnéticos de dimensões microscópicas.
Bioanálises
"Vários laboratórios já começaram a fazer a transição da GMR do domínio do armazenamento digital de dados para o domínio das ciências bioanalíticas," comentam os pesquisadores em seu artigo. "Nós acreditamos que, apostando nos avanços feitos na indústria de gravação magnética (por exemplo, nos tocadores de música digital), um dispositivo robusto, portátil, capaz de detectar eventos de ligações [moleculares] individuais está literalmente no horizonte."
A precisão herdada da cabeça de leitura dos discos rígidos significa que o novo biochip, que ainda está em fase laboratorial, é capaz de detectar amostras ainda menores do que as que podiam ser analisadas com outras versões de microlaboratórios.
Bibliografia:A emergente área do processamento biológico da informação pode abrir caminho para um futuro que poderá não ser tão digital quanto se imagina.
Fungos processando sinais de áudio, bactérias armazenando imagens, moléculas de DNA funcionando como circuitos lógicos, todas são possibilidades reais, algumas delas já testadas em escala de laboratório.
Futuro não-tão-eletrônico
Os cientistas Sotirios Tsaftaris e Aggelos Katsaggelos acreditam que este é apenas o começo do nascente campo do processamento biológico da informação. Em um artigo que analisa o impacto dos progressos recentes na área, feitos ao longo dos últimos 10 anos, eles avaliam que pode estar se descortinando um "futuro possivelmente não-tão-eletrônico".
O processamento de sinais digitais utiliza soluções matemáticas, aplicadas por meio de diversas técnicas, para manipular sinais representativos de dados, imagens ou músicas, depois que eles foram convertidos para o formato digital.
Ao longo dos últimos 10 anos, contudo, diversas equipes têm experimentado materiais diferentes daqueles comumente utilizados pela indústria eletrônica.
Processamento biológico
Alguns compostos químicos, por exemplo, podem ser totalmente misturados, mas não reagirão até que incida luz sobre eles - um mecanismo que pode ser utilizado para gravar uma imagem, bastando fazer incidir um foco de luz sobre uma filme antes transparente. Até mesmo técnicas de melhoramento das imagens, como reforço de contorno, podem ser aplicadas, variando-se a acidez da mistura.
O Instituto de Tecnologia de Massachusetts já possui uma competição anual na qual seus estudantes projetam sistemas biológicos que possam executar cálculos computacionais básicos.
Processamento orgânico
O grande ímpeto na área veio com a utilização de moléculas de DNA para armazenar informações digitais. Os dados podem ser codificados no DNA, que é mantido em meio líquido para economia de espaço. Mas as moléculas de DNA também podem ser utilizadas para o processamento dos sinais digitais (veja Grave seus dados no DNA de uma bactéria e deixe-os passar de geração em geração).
Outros cientistas estão fazendo avançar a área teórica, mesmo antes que a tecnologia seja capaz de incorporá-las em dispositivos práticos. Já estão disponíveis, por exemplo, algoritmos que poderão ser utilizados pela biotecnologia para a detecção mais rápida de doenças.
Mas Tsaftaris e Katsaggelos vão além, e sonham com o dia em que será possível implementar o processamento inteiramente orgânico da transformada rápida de Fourier - um método largamente utilizado para a extração de informações úteis de amostras de sinais digitais.
Para conhecer alguns dentre os muitos avanços da área, veja NASA cria circuitos integrados bacterianos, Bactéria geneticamente modificada tira fotografia de alta resolução e Bactérias poderão ajudar a construir chips mais velozes.
Bibliografia:Pesquisadores norte-americanos descobriram "motores flexoelétricos" no interior do ouvido humano, usados para amplificar o som mecanicamente.
"Nós estamos relatando a descoberta de um novo motor em nanoescala no ouvido,"' diz Richard Rabbitt, um dos autores da descoberta. "O ouvido tem um amplificador mecânico em seu interior que usa energia elétrica para fazer amplificação mecânica.
Motor elétrico biológico
O motor elétrico biológico fica em pequenas células tubulares chamadas estereocílios, parecidas com pelos, localizadas no ouvido interno. Quando as ondas sonoras que chegam ao ouvido, elas fazem esses túbulos balançarem, o mecanismo dos motores flexoelétricos entra em funcionamento e amplificam o som, ampliando nossa capacidade de audição.
"É como a direção de um carro," explica Rabbitt. "Você gira o volante e adiciona potência mecânica. Aqui, o som que chega faz o papel das suas mãos girando o volante. Mas, para virar, você tem que fazer força. Esses aglomerados ciliares adicionam a potência necessária ao som."
O grupo do Dr. Rabbitt ainda especula que a conversão flexoelétrica, que transforma a eletricidade em trabalho mecânico, pode estar envolvida em outros processos em nosso organismo, como na formação da memória e até mesmo na digestão.
Funcionamento do motor flexoelétrico
Quando o som entra na cóclea e alcança essas minúsculas células tubulares - os estereocílios - a pressão do som faz com que elas balancem de um lado para o outro, como se fossem um bambu ao vento.
Os túbulos estão interconectados por seus topos, unidos por filamentos de proteína. No ponto onde cada filamento entra em contato com a extremidade de cada túbulo, há um canal iônico que abre e fecha conforme os estereocílios balançam para um lado e para o outro.
Quando o canal se abre, íons de cálcio e potássio (átomos eletricamente carregados) fluem para os túbulos. Isso altera a tensão ao longo da membrana que envolve cada estereocílio, fazendo os túbulos flexionarem-se e dançarem ainda mais.
Esse movimento mecânico de balanço amplifica o som e, em última instância, libera neurotransmissores na base das células tubulares, enviando o sinal elétrico equivalente ao som pelos nervos até o cérebro.
O mecanismo da flexoeletricidade era conhecido há várias décadas, mas acreditava-se que ele só ocorresse em membranas. O que os pesquisadores notaram é que os estereocílios são, na verdade, membranas enroladas.
Bibliografia:Cientistas da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, desenvolveram um equipamento capaz de gerar energia a partir do movimento dos joelhos. O aparelho utiliza o mesmo princípio de captura de energia regenerativa, atualmente utilizado nos veículos híbrido-elétricos para gerar energia para as baterias a partir da energia gasta para frear o veículo.
Gerador regenerativo
Os freios regenerativos utilizam a energia cinética que seria desperdiçada como calor à medida em que o carro diminui de velocidade. A nova braçadeira para o joelho captura a energia perdida quando o joelho funciona como uma espécie de freio - isso acontece quando a pessoa projeta a perna para a frente para dar um novo passo.
"Há energia para ser capturada em vários lugares do corpo, e você pode usá-la para gerar eletricidade. O joelho é provavelmente o melhor lugar," explica Arthur Kuo, um dos autores do projeto. "Durante o andar, você dissipa energia em vários pontos, quando seu pé toca o solo, por exemplo."
Joelheira geradora de energia
A joelheira geradora de energia exige menos de um watt de energia metabólica extra do seu usuário, para cada watt de eletricidade gerada. Segundo os pesquisadores, uma lanterna acionada manualmente requer 6,4 watts de energia metabólica para gerar 1 watt de eletricidade.
Mas os pesquisadores afirmam que o protótipo ainda é pesado e que o rendimento poderá ser melhorado, tendo quase nenhum impacto sobre o caminhante depois que ele tiver sido totalmente desenvolvido.
Bibliografia:Os olhos biônicos, equipamentos capazes de restaurar a visão de pessoas inteiramente cegas ou com problemas de visão extremamente sérios, são ainda uma promessa, apesar do grande número de pesquisas e dos vários testes em andamento.
A quase totalidade dessas pesquisas concentra-se no desenvolvimento de chips contendo sensores, muito semelhantes aos existentes nas câmeras digitais. Os sensores captam a luz e os sinais são enviados diretamente ao nervo óptico.
Amplificador visual
Mas o Dr. Jeffrey Olsen, da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, acredita ter descoberto um enfoque mais simples e mais promissor.
Em vez substituir as células fotossensíveis da retina danificada, o Dr. Olsen afirma que é mais simples amplificar a luz captada pelas células naturais, que geralmente ainda têm uma pequena sensibilidade, mas não o suficiente para ativar o nervo óptico e fazer com que a pessoa enxergue.
Pontos quânticos
A solução consiste no implante de pontos quânticos, nanopartículas com altíssima sensibilidade à luz. Os pontos quânticos são formados por materiais semicondutores que fluorescem quando atingidos pelos fótons e podem funcionar como uma espécie de amplificador visual, reforçando os sinais que chegam às células da retina.
A técnica tem várias vantagens. A maior delas é que os pontos quânticos não precisam uma fonte externa de energia, o que reduz a complexidade e as dimensões do dispositivo a ser implantado no olho. Embora os testes com os olhos biônicos tradicionais, baseados em sensores, estejam apresentando resultados promissores, eles ainda dependem de uma miniaturização futura, porque o chip implantado é grande e acaba impedindo o funcionamento das células da retina que ainda funcionam.
Biocompatibilidade
Os pontos quânticos não são o melhor exemplo de material biocompatível, podendo mesmo ser altamente tóxicos. Contudo, é possível revesti-los com materiais bioativos que não apenas os tornam inertes ao organismo, como também garantem que eles fiquem restritos a tecidos específicos da retina.
A grande desvantagem da nova técnica é que ela somente poderá ser aplicada aos pacientes que ainda possuem células vivas na retina. Contudo, segundo o Dr. Olsen, isso atende à grande maioria dos deficientes visuais.
Testes em ratos
Os primeiros testes feitos em ratos são promissores. Os animais que tiveram os pontos quânticos injetados em suas retinas apresentam uma maior atividade elétrica do que os animais normais, o que demonstra o funcionamento da técnica de amplificação visual.
A nova abordagem para restauração da visão já foi patenteada, mas ainda não há previsões de quando os testes em humanos irão começar, principalmente devido às questões da toxicidade dos pontos quânticos, que exigirão maiores pesquisas para que sejam aprovadas pelas autoridades de saúde.
Fonte: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=amplificador-visual-alternativa-para-olho-bionico&id=010110090120
Redação do Site Inovação Tecnológica - 03/03/2009
Que tal recarregar o seu notebook ou o seu telefone celular aproveitando a energia dos seus dedos ao acionarem o teclado? Ou acompanhar a música que você ouve no seu MP3, usando a vibração das suas cordas vocais para recarregar as baterias do seu som portátil?
Nanogeradores
Estas são algumas das possibilidades abertas pela pesquisa do professor Zhong Li Wang, da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos. Esta é a quinta geração dos nanogeradores construídos por esta equipe de pesquisadores (veja Nanogeradores usam movimento do corpo para gerar energia).
"Usando a nanotecnologia, nós demonstramos uma forma de converter mesmo a mais irregular energia biomecânica em eletricidade. Esta tecnologia pode converter qualquer distúrbio mecânico em energia elétrica," diz o Dr. Wang.
A energia dos ramsters
Para mostrar uma forma verdadeiramente inusitada de produzir energia alternativa, os pesquisadores usaram seus nanogeradores em ramsters de laboratório, fazendo-o produzir eletricidade enquanto se exercitavam nas rodas de suas gaiolas.
Talvez os ramsters não se tornem a solução para a crise energética, mas a demonstração dá o tom da versatilidade dos novos nanogeradores. "Até mesmo uma bandeira balançando ao vento pode ser utilizada para gerar eletricidade," diz o pesquisador.
Aproveitar essas energias irregulares de baixa frequência é significativo porque elas estão presentes em todos os lugares, inclusive no corpo humano, que as gera ao falar, andar e fazer qualquer outro tipo de movimento, como quando usamos o teclado do computador.
Efeito piezoelétrico
A eletricidade produzida pelos nanogeradores é gerada pelo efeito piezoelétrico, um fenômeno pelo qual determinados materiais - como nanofios de óxido de zinco - produzem cargas elétricas quando eles são flexionados. Os nanofios utilizados pelos pesquisadores têm entre 100 e 800 nanômetros de diâmetro e de 100 a 500 micrômetros de comprimento.
Os fios de óxido de zinco recebem uma capa protetora de polímero flexível. A seguir, eles são fixados a eletrodos metálicos de um lado e a um diodo Shottky do outro, para controlar o fluxo de corrente. Este conjunto forma um nanogerador, que pode ser utilizado individualmente ou formando conjuntos para o aproveitamento de energias mecânicas mais intensas.
O pulsar das minhas veias
Na experiência com os hamsters, quatro nanogeradores foram presos às patas do animal, gerando 0,5 nanoampere. Como são minúsculos, os pesquisadores afirmam que milhares deles poderão ser entretecidos em luvas e em roupas, gerando energia suficiente para recarregar as baterias de telefones celulares, tocadores de MP3 e outros aparelhos portáteis.
Até mesmo o pulsar das veias poderá ser utilizado para gerar energia e abastecer nanodispositivos e sensores médicos, destinados a monitorar sinais vitais, como os batimentos cardíacos e a pressão sanguínea, enviando os resultados continuamente para um monitor remoto.
Bibliografia:Redação do Site Inovação Tecnológica - 08/06/2009
Se as doações de órgãos são um problema eterno para a medicina e para quem precisa deles, a doação de pele é ainda mais problemática. Necessária principalmente para cirurgias em pessoas vítimas de queimaduras, mas também em cirurgias plásticas, é virtualmente impossível conseguir doações nos momentos e nas quantidades necessárias.
É por isto que os pesquisadores trabalham tão arduamente no desenvolvimento de técnicas que permitam a cultura em laboratório ou o desenvolvimento de peles artificiais. Não é uma tarefa fácil: os tecidos humanos possuem uma combinação única de resistência, suavidade e flexibilidade.
Fitas de DNA com nanotubos de carbono
Agora, uma equipe de cientistas australianos e coreanos deu mais um passo para que a ciência vença o desafio de produzir tecidos artificiais que sejam compatíveis com o organismo humano. E, embora a pesquisa visasse o desenvolvimento de peles artificiais, o material resultante poderá ser útil para a fabricação de outros tipos de tecidos biocompatíveis.
O grupo dos professores Geoffrey M. Spinks e Seon Jeong Kim criou um novo material esponjoso, altamente poroso, cujas propriedades mecânicas assemelham-se muito com a suavidade dos tecidos biológicos. O novo geral é formado por uma rede robusta de fitas de DNA e de nanotubos de carbono.
Andaime biológico
Os tecidos moles do corpo humano, como os tendões, músculos, artérias, pele e outros órgãos, obtêm seu suporte mecânico de uma matriz extracelular, uma rede de nanofibras formadas por proteínas. Proteínas com diferentes morfologias geram tecidos com diferentes "durezas".
O que os pesquisadores descobriram foi uma técnica para produzir uma matriz de suporte artificial que imita o trabalho feito pelas proteínas, uma espécie de "andaime" onde as células dos tecidos poderão crescer.
O novo material usa fitas de DNA para envolver e "amarrar" nanotubos de carbono, formando um gel. Os nanotubos de carbono são tubos ocos de carbono com apenas alguns átomos de espessura, mas com uma resistência mecânica superior à do aço.
Imitando a estrutura protéica natural
O processo de entrelaçamento entre as fitas de DNA e os nanotubos de carbono acontece na presença de um líquido iônico.
A solução resultante pode ser aspergida sobre uma superfície, como se fosse um spray. Quando seca, o material forma uma estrutura altamente porosa, constituída por uma rede de nanofibras interconectadas com apenas 50 nanômetros de largura. Ao ser mergulhado em uma solução de cloreto de cálcio, as fitas de DNA se entrecruzam, tornando as nanofibras mais densas e mais fortemente conectadas.
Está pronto o material sintético que imita a estrutura protéica natural, elástico e resistente como os tecidos biológicos. Agora ele poderá ser utilizado para a cultura de células, que se desenvolverão no interior de suas estruturas microscópicas.
Sensor cardíaco
A pesquisa prosseguirá, com testes sobre a biocompatibilidade e a análise da toxicidade do material, sobretudo pela presença dos nanotubos de carbono em sua composição.
Mas o material já está chamando a atenção para outras utilizações. Uma propriedade inesperada, apresentada por este "andaime celular", é que ele é um bom condutor elétrico.
Além da fabricação de eletrodos para atuadores mecânicos, os cientistas afirmam que é possível utilizá-lo para fabricar sistemas de armazenamento de energia, novos tipos de baterias e até sensores para uso no interior do corpo humano.
Os testes demonstraram que o novo material funciona como um sensor de peróxido de hidrogênio, um composto químico importante para o desempenho dos músculos do coração e que está associado a diversas doenças cardíacas. Um sensor robusto, e com elasticidade semelhante à do próprio músculo cardíaco, será de grande valia para novas pesquisas nesta área.
Bibliografia:Redação do Site Inovação Tecnológica - 08/06/2009
Pesquisadores da Universidade de Twente, na Holanda, desenvolveram um biochip, uma espécie de laboratório clínico do tamanho de um chip de computador, que é capaz de detectar em cinco minutos se uma pessoa está ou não infectada com um vírus.
O aparelho é também capaz de detectar infecções com bactérias específicas, além de identificar proteínas e moléculas de DNA. Em várias doenças, a análise de marcadores específicos presentes na saliva pode determinar se uma pessoa está doente ou não.
Detecção do vírus A H1N1 em 5 minutos
Tudo o que é necessário para o funcionamento do biochip é uma amostra de saliva, sangue ou outro fluido corporal, dependendo do tipo de análise a ser feita, e um receptor, uma substância que se liga a um microorganismo específico ou a uma substância biológica.
Por exemplo, no caso de um vírus, um anticorpo específico para aquele tipo de vírus serve como receptor. Os pesquisadores afirmam que, se já dispusessem de um anticorpo específico para a gripe A H1N1, eles poderiam verificar se uma pessoa está infectada ou não com o novo vírus em apenas cinco minutos.
Os pesquisadores criaram uma empresa, chamada Ostendum, para comercializar o novo aparelho. O primeiro protótipo já está pronto e a intenção é de que o novo aparelho possa ser comercializado ainda em 2010.
Detectando um único vírus
O aparelho completo consiste de duas partes: o biochip propriamente dito e um detector portátil. O chip contém canais microscópicos que são recobertos com os receptores dos microorganismos específicos que se planeja detectar.
A amostra de sangue ou saliva é injetada no interior dos microcanais por meio de um sistema de fluidos. Para saber se algum microorganismo ligou-se aos receptores, a luz de um laser miniaturizado é injetada nos microcanais. A conexão entre microorganismo e receptor produz um padrão de interferência na luz do laser, que pode ser detectada por um sensor.
Outro elemento destacado pelos pesquisadores é a altíssima sensibilidade do novo biochip: segundo eles, o equipamento é capaz de detectar a ligação de uma única partícula de vírus.
Fonte: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=biochip-detecta-infeccao-virus-cinco-minutos&id=010110090608